Onde há dúvida, há liberdade!

O BRUXO

novembro 19th, 2009 at 8:56

Nova campanha ateísta: deixem as crianças em paz!!

Em janeiro de 2009 a British Humanist Association lançou uma campanha ateista em ônibus públicos de Londres. A idéia deu tão certo que várias organizações atéias fizeram o mesmo em outras partes do mundo.

Pois bem, agora a British Humanist Association lançou uma campanha, ao meu ver, muito mais importante porque toca em um assunto delicado. Trata-se de uma campanha para divulgar a idéia que não se deve converter crianças a nenhum culto religioso. Os pais não devem obrigar suas crianças a seguir sua fé religiosa, essa seria uma escolha pessoal e só deveria ser feita pela criança quando ela fosse mais crescida e pudesse fazer a escolha por seguir alguma religião ou não por si mesma.

Acredito que essa campanha vai gerar muito mais polêmica do que a primeira entre os religiosos. Mas a luta é justa e vale a briga.

Hey, preacher. Leave those kids alone!!

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  • Teldo
    10:57 on novembro 19th, 2009 1

    Ainda vai gerar polemica, mas é certo, os pais não devem induzir crianças a algo que no futuro elas possam querer revogar.

  • Homero
    12:27 on novembro 19th, 2009 2

    Polêmica, com certeza, é uma campanha que vai contra a milenar tradição de distorcer e assombrar mentes em desenvolvimento, de crianças e jovens, com superstições diversas, e dentro da própria familia (que deveria protege-las), de forma a tornar o mais difícil possível o pensamento crítico e racional. E, claro, o abandono da superstição no futuro.

    Já diziam os jesuítas, “dêem-me a criança e eu lhes darei o homem”.

    Mas é um começo, e se pelo menos alguns entenderem que deve ser um direito de escolha, e não uma imposição, seguir uma superstição qualquer, já será um sucesso a campanha.

  • Deus lo Vult! » Um, dois, três, quatro, cinco
    15:15 on novembro 20th, 2009 3

    [...] Nova campanha ateísta: deixem as crianças em paz!! Mais bobagem. “Os pais não devem obrigar suas crianças a seguir sua fé religiosa, essa [...]

  • Artur Costa
    17:52 on novembro 20th, 2009 4

    Campanha mais imbecil impossível. Daqui a pouco vão criar campanha pra proibir que os pais eduquem seus filhos.A influência religiosa é desonesta, agora influência atéia não? É muita cara de pau.

  • Homero
    22:29 on novembro 20th, 2009 5

    Arthur, tente entender, não há influência da “não influência”..:-) Ateismo não é uma “influência”, não é algo, pelo contrário é ausência de algo. Você não é “ateu” de Papai Noel, apenas não acredita nele.

    O que a campanha pede é que não se faça lavagem cerebral em crianças indefesas, que tem a tendência, evolutiva, de “acreditar” no que adultos falam, mesmo que seja mentira ou superstição. Não tentar encher as cabeças delas de superstições, NÃO significa encher a cabeça delas de idéias ou crenças ateias. Até porque, não existem crenças ateias..:-)

    Ateus não “desacreditam” em deus, como uma crença religiosa invertida. Ateus apenas não veem evidências de existência de seres mágicos, deuses, unicórmios, Papai Noel, duendes, fadas, etc.

    Essa campanha, boa campanha, é o mesmo que pedir que não se assustem crianças com histórias de fantasmas, como se fantasmas fossem reais. Quer contar historias de mitologias ancestrais, tudo bem. Fale de Zeus, Quetzacoatal, Jeova, Odim, etc, mas como histórias, nada mais.

    Não tente convencer a força as pobres crianças, que não tem como se defender, de que um desses seres mitológicos é real e que fica vigiando a coitada dia e noite, para se vingar da desobediência dela, enviando para uma eternidade de sofrimento atróz no inferno, isso é cruel e injusto e irracional.

    Deixe as crianças em paz, pastor Artur..:-) Educar e fazer lavagem cerebral são coisas distintas.

  • roberto quintas
    13:45 on novembro 21st, 2009 6

    como era de se esperar, o Jorge [acena] reclama:
    “E por qual misterioso motivo os pais deveriam obrigar a criança a seguir o indiferentismo religioso ou o ateísmo? Parece piada: reclamam da educação religiosa e fazem campanha por uma educação atéia! Por que não deixam a criança optar pelo ateísmo quando for mais crescida?”

    Não se obriga, simplesmente se deixa de incutir nas crianças o MEDO necessário para que a Igreja continue sendo uma empresa bem-sucedida. Ou será que o Jorge [acena] nunca leu sobre as pesquisas com crianças que demonstra que elas mesmas acabam desenvolvendo uma noção religiosa de Deus [ou Deuses... };)], dispensando a inculcação?

  • Luiz
    21:25 on novembro 23rd, 2009 7

    Criança sofre, papai noel, coelhinho da páscoa, jc,monstro do armário, homem do saco, deus, padrinhos mágicos, etc..
    deixem elas em paz com tanta besteiras.
    Eu acredito no Teorema de Pitágoras, mas nem por isso fico enchendo a paciência do meu filho. Quando ele estiver pronto encontrará os catetos, e pela soma de seus quadrados…

  • Karina
    13:02 on novembro 24th, 2009 8

    Por que não deixam as famílias criarem seus filhos em paz? Se elas querem levar seus filhos a mosteiros budistas, a cultos de candomblé, a igrejas evangélicas ou a lugar nenhum, deixem que AS FAMÍLIAS DECIDAM. Como alguém mesmo falou aí em cima, a criança pode seguir ou não a religião de seus pais depois de adulto, NÃO é uma IMPOSIÇÃO.

    E não venham falar em traumas, pois há filhos de ateus com traumas tanto quanto crianças criadas em lares com alguma crença.

    Mas, se for assim,

    NÃO VENHAM ENCHER A CABEÇA DAS CRIANÇAS FALANDO QUE ELAS TÊM QUE COMER BEM, DEIXEM QUE ELAS DECIDAM COMER NO MC DONALDS TODOS OS DIAS. DEIXEM AS CRIANÇAS COM OBESIDADE MÓRBIDA DOS ESTADOS UNIDOS EM PAZ.

    NÃO VENHAM ENCHER A CABEÇA DA CRIANÇA COM ESSE PAPO CHATO DE ECOLOGIA, DEIXE QUE ELA MESMO PERCEBA SE ESTÁ FAZENDO BEM OU MAL PARA A SOCIEDADE ENTUPINDO OS BUEIROS DE PAPEL DE BALA.

    Mas, é aquela história, todo mundo cria seu filho melhor que você… mas ninguém quer assumir a responsabilidade depois.

  • Bruno
    20:03 on novembro 24th, 2009 9

    1. Trata-se de uma campanha francamente idiota. É natural que os pais transmitam seus valores e idéias aos filhos, e tentar esquivar-se de fazer tal coisa – num contexto religioso ou não – a pretexto de respeitar a individualidade da criança, é uma medida que, além de ineficiente para fins de neutralidade (meu silêncio/omissão já irá desempenhar um papel na fomação da criança) é um tanto problemática tanto do ponto de vista “prático” (papai vai na igreja todo domingo, mas não deixe que isso te influencie tá filhão?) quanto teórico (afinal de contas, por que eu não transmitiria a meu filho valores e idéias que eu mesmo considero verdadeiros, úteis e importantes?).
    2. Na verdade trata-se de uma tentativa – desonesta porque apresentando-se sob uma máscara de “neutralidade” – de incorporar (veladamente) à praxis social, teísta inclusive, comportamentos que partem de pressupostos ideológicos ateístas/agnosticos. É mais ou menos como se um vegetariano (ou acarnívoro, se preferirem), em nome da neutralidade e do respeito à individualidade infantil, mal dissimulando seu ódio pela dieta carnívora, defendesse que os pais não devem oferecer carne aos filhos até que eles atinjam a idade adulta…
    3. Dizer que o ateísmo não é uma “influência” concreta por constituir-se, a priori, de uma mera negação, é ignorar os vários pressupostos e decorrências práticas e teóricas tanto do ateísmo em si, quanto das diversas modalidades doutrinário-filosóficas do qual ele é parte integrante ou mesmo fundamental.
    4.Temos então que é muito mais procedente – se queremos ser “neutros” e “humanistas”, além de justos e razoáveis – que os pais continuem ensinando o que quiserem a seus filhos, e que haja garantias legais/sociais para que ateus e teístas divulguem e defendam suas idéias -se assim desejarem – de forma honesta, franca, e só restrita pelos limites da legalidade.
    5.Dizer que o fato de as crianças “acreditarem nos pais” é uma “tendência evolutiva” é risível… Fico imaginando um forte instinto primal impedindo o bebê de formular suas elaboradas objeções àquilo que os pais lhe dizem, ou quem sabe “recalcando” uma espontânea desconfiança, surgida, junto com as partículas de matéria e anti-matéria, do vácuo…
    6.Se não precisamos encher o saco de nossos filhos com o teorema de pitágoras é por que o professor de matemática faz isso por nós…
    7.”Não se obriga, simplesmente se deixa de incutir nas crianças o MEDO necessário para que a Escola continue sendo uma empresa bem-sucedida.” – Adepto da filosofia irracionalista “docta ignorantia”, defendendo a razoável neutralidade de sua posição quanto aos pais obrigarem seus filhos a estudar…
    8.É uma pena que haja tantos ateus assim… Me faz lembrar que Dawkins, Karl Marx e minha vizinha budista/swinger tb o são… Mas que importa? No final “tudo vira bosta”! Ê lêlê..

  • fabricio_fleck
    13:05 on novembro 25th, 2009 10

    “Por que não deixam as famílias criarem seus filhos em paz? Se elas querem levar seus filhos a mosteiros budistas, a cultos de candomblé, a igrejas evangélicas ou a lugar nenhum, deixem que AS FAMÍLIAS DECIDAM.”

    A campanha não diz absolutamente nada no sentido de que é errado levar crianças ou não a instituições religiosas.O que a campanha defende é que é errado impor e rotular uma criança como sendo dessa ou daquela seita quando na verdade a criança ainda é muito pequena para entender assuntos complexos e de escolha pessoal como a religião.

    “Como alguém mesmo falou aí em cima, a criança pode seguir ou não a religião de seus pais depois de adulto, NÃO é uma IMPOSIÇÃO.”

    Infelizmente, isso não é verdade em muitos casos.

    Em muitos paises do Oriente Médio – geralmente os mais pobres e atrasados – os pais impõem sim sua religião aos seus filhos. Os mais fanáticos até participam de desfiles terroristas com suas crianças segurando um exemplar do Alcorão numa mão e um AK-47 em outra!!

    Em alguns países da África meninas têm suas genitálias mutiladas porque os religiosos de suas tribos dizem que é errado mulheres sentirem prazer nas relações sexuais.

    Recentemente pais da Igreja Testemunha de Jeová queriam impedir que sua filha recebece transfusão de sangue porque segundo esses pais isso é pecado. Veja que absurdo. Os pais estavam IMPONDO sua crença pessoal e irracional a sua filha. Não se importando se ela iria morrer!! O Estado teve que intervir para garantir o direto a menina a um tratamento médico para que ela sobrevivese.

    Nos Estados Unidos aconteceu a mesma coisa ano passado. Uma menina estava doente e em vez de levar a menina a um médico os pais cristão APENAS se reuniram em volta da criança com outros membros da Igreja e oraram. A menina morreu por falta de cuidados médicos. Os pais foram indiciados por abandono de incapaz e foram presos. O mais revoltante é que a doença da menina era perfeitamente tratável pela medicina: asma.

    Na década de 70 o pastor Jim Jones e centenas de seguidores se isolaram numa fazenda no Panamá e cometeram suicidio em massa. Centenas de crianças foram mortas pelos próprios pais, incluíndo bebês que foram mortos com injeções de cloreto de sódio (sal de cozinha) aplicadas pelas suas próprias mães.

    No documentário Jesus Camp é mostrado um acampamento cristão nos EUA onde as crianças são submetidas a lavagem cerebral.

    E esses, infelizmente, são APENAS alguns exemplos.

    “E não venham falar em traumas, pois há filhos de ateus com traumas tanto quanto crianças criadas em lares com alguma crença.”

    Favor apresentar o estudo científico que demonstre que filhos de ateus apresentam mais traumas na infância do que filhos de teístas!

    “NÃO VENHAM ENCHER A CABEÇA DAS CRIANÇAS FALANDO QUE ELAS TÊM QUE COMER BEM, DEIXEM QUE ELAS DECIDAM COMER NO MC DONALDS TODOS OS DIAS. DEIXEM AS CRIANÇAS COM OBESIDADE MÓRBIDA DOS ESTADOS UNIDOS EM PAZ.
    NÃO VENHAM ENCHER A CABEÇA DA CRIANÇA COM ESSE PAPO CHATO DE ECOLOGIA, DEIXE QUE ELA MESMO PERCEBA SE ESTÁ FAZENDO BEM OU MAL PARA A SOCIEDADE ENTUPINDO OS BUEIROS DE PAPEL DE BALA.”

    Risos…falácia do espantalho…:-)

    Você esta acusando a campanha ateista de uma coisa que a campanha NÃO DEFENDE. A campanha EM NENHUM MOMENTO diz que É A CRIANÇA QUEM DEVE DECIDIR COMO VIVER.

    Como a crinança é muito pequena e ainda esta se desenvolvendo fisicamente e intelectualmente CABE AOS PAIS ZELAR PELO BEM ESTAR FÍSICO E PSICOLÓGICO DOS SEUS FILHOS. Se os pais não fizerem isso podem até ser presos e perder a guarda da criança por abandono de imcapaz…:-)

    Tente entender Karine, a criança é um ser muito pequeno e não tem maturidade ainda para saber que tipos de alimentos são ou não bons para ela. Os pais devem zelar por isso.

    A criança é um ser muito pequeno e não tem maturidade para saber quais são os habitos de vida ecologicamente corretos. Por isso os pais devem zelar por isso.

    E por fim, a criança é um ser muito pequeno e não tem maturidade para lidar com questãos complexas como religião. Cabem aos pais zelarem para que a criança cresça em um ambiente sadio e sem imposições intelectuais, livres e estimulante para que ela desenvolva seu senso-crítico. E QUANDO ADULTA ELA POSSA ESCOLHER SEGUIR UMA RELIGIÃO OU NÃO.

    Alias, é exatamente esse o slogan da campanha “please, don´t label me. Let me grow up and choose for mylself” (Por favor, não me rotule. Deixe-me crescer e escolher por mim mesmo).

    Já conversei com um monte de religiosos que entenderam e apoiram a idéia. Eles entenderam que não é uma campanha para promover o ateísmo nas crianças. É simplesmente uma campanha para todos os pais – teista e ateista – cuidaram da educação básica e laica dos seus filhos e deixarem eles crescerem e, ai sim, fazerem suas escolhas pessoas. Simples

    Abraços,

    Fabricio Fleck

  • Bruno
    15:58 on novembro 25th, 2009 11

    1. “O que a campanha defende é que é errado impor e rotular uma criança como sendo dessa ou daquela seita quando na verdade a criança ainda é muito pequena para entender assuntos complexos e de escolha pessoal como a religião”… Ok! Mas por um acaso assuntos deliberadamente “impostos” pelos pais aos filhos, em nossa cultura mesmo, como a dieta, valores morais, idéias cívicas,etc, etc, etc também não são considerados, por nossa própria cultura aliás, “assuntos complexos e de escolha pessoal”? Continua a parecer-me que a questão se resume ao fato de que alguns ateus vêem a religião como algo intrisecamente mau e do qual as crianças devem ser protegidas… Mas então pq toda a afetação – a la Voltaire – em prol da “liberdade de consciência infantil”, quando a única justificativa razoável para que os pais não insiram seus filhos em seu contexto religioso é o fato de que alguns ateus acham esse contexto altamente daninho? Me parece haver aí uma espécie proselitismo passivo disfarçado e, por isso mesmo, francamente hipócrita…
    Aliás, defender a proposta com base na enumeração de atrocidades (movidas pela religiosidade) cometidas por pais “teístas” – com o detalhe de que estes irão representar cerca de 90% (não, o número não é literal, mas sei que podem entender o que quero dizer) da “população total” de pais – é ignorar que existem milhonésimos outros casos no qual as crianças são prejudicadas pelos pais, por motivos que envolvem esferas absolutamente independentes da religião – como dieta, valores, sexo, etc ad infinitum…
    Qual seria a solução para esses “abusos”? Bem, digamos que, com inúmeras variáveis nos detalhes operacionais, todas passariam por impor a todas as crianças e pais do mundo os valores básicos de convivência e educação familiar defendidos por vc… Boa sorte!
    2.”Favor apresentar o estudo científico que demonstre que filhos de ateus apresentam mais traumas na infância do que filhos de teístas!” – A afirmativa do carinha não me pareceu “filhos de ateus são mais traumatizados”, mas algo como “ateísmo ou teísmo não possuem relações necessárias ou exclusivas com traumas infantis”. Boneco de palha?
    3.”Cabem (ou seria cabe?) aos pais zelarem para que a criança cresça em um ambiente sadio e sem imposições intelectuais, livres e estimulante para que ela desenvolva seu senso-crítico”. Traduzindo: Cabe aos pais zelarem para que seus filhos cresçam num “saudável” clima de indiferentismo religioso altamente valioso e recomendável para quem… detesta religião?
    4.E QUANDO ADULTA ELA POSSA ESCOLHER SEGUIR UMA RELIGIÃO OU NÃO. – Amém! Mas… Espera aí, eu conheço vários ateus educados no teísmo que fizeram exatamente isso!
    4.”Por favor, não me rotule. Deixe-me crescer e escolher por mim mesmo.” – Vou me lembrar de jamais rotular uma criança ocidental, brasileira ou carnívora… Isso fere suceptibilidades!

  • Homero
    18:52 on novembro 26th, 2009 12

    Bruno: “4.”Por favor, não me rotule. Deixe-me crescer e escolher por mim mesmo.” – Vou me lembrar de jamais rotular uma criança ocidental, brasileira ou carnívora… Isso fere suceptibilidades!”

    É preciso um mínimo de lógica para um debate racional. Acho que está faltando esse mínimo em seus argumentos, na tentativa de “provar seu ponto”.

    Uma criança é brasileira, se nascer no Brasil. É uma característica, não um rótulo. Rótulos podem ser trocados, características não. Se comer carne, será carnívoro, se não comer, não será. Característica, não rótulo.

    Mas se chamar uma criança de “corintiano” ou “palmeirense”, será um rótulo, e pode ate ver a tolice que é isso..:-) Imagine um pai dizendo para um bebê de 1 ano, “ele é corintiano roxo”..:-). Absurdo, não..:-)

    Mas rótulos como corintiano ou palmeirense não são muito perigosos ou daninhos (bem, não deveriam ser), mas a lavagem cerebral que se segue ao rótulo de “cristão” é bastante perigosa. Assim como islamico, judeu, mórmom, etc. E se o rótulo for “Testemunha de Jeová”, o risco é de vida, como o recente episódio dos pais que tentaram impedir sua filha de 18 anos de receber transfusão de sangue que salvaria sua vida, nos mostra claramente.

    Só é possível “escolher” uma religião, na maioria das vezes, se a criança crescer com algum “espaço” para pensamento independente. E claro, em uma sociedade minimamente justa e laica. Se tentar “escolher” sua religião no Afeganistão, por exemplo, e escolher “errado”, será punido com a morte, pelo crime de apostasia.

    Ensinar valores é ótimo, na verdade fundamental. Mas afirmar que estes valores vem de seres imaginários como Papai Noel e os duendes e fadas, não. É daninho, e as crianças deveriam poder crescer sem isso, e escolhendo “depois” se querem acreditar que esses valores vem de seres imaginários.

    Bruno: “Traduzindo: Cabe aos pais zelarem para que seus filhos cresçam num “saudável” clima de indiferentismo religioso altamente valioso e recomendável para quem… detesta religião?”

    Não, na verdade. É recomendável, como as sociedades laicas demonstram, para todo mundo. Pensar por si mesmo é bom para todo mundo, seja religioso ou não. E ter a mente impregnada de superstições ancestrais não ajuda nisso de forma alguma.

    Nada impede um adulto de dizer, veja, eu acredito nisto e naquilo, e o conjunto dessas crenças é chamado de catolicismo, islamismo, judaísmo, etc, mas tem quem acredite em outras coisas, deve procurar conhecer todas e eventualmente escolher sua posição (tente imaginar um adolescente de familia mormom ou evangélica chegando em casa e dizendo: gente, estou experimentando a religião Wicca, de contato com as forças da natureza, não é legal?).:-).

    Mas, e sei que sabe disso, a maioria dos que crêem acharia bastante arriscado..:-) Porque sabem, até intuitivamente, que sem a constante pressão e constante reforço das crenças, com a eliminação de todas as outras competidoras, quase nenhuma criança nessa situação escolheria a religião dos pais. Ou pior, nem mesmo escolheria uma religião.

    É esse o risco que crentes não desejam correr. Já diziam os jesuítas, deem-me a criança e lhes darei o homem.

    A reação visceral, que até você e a Karina apresentam, dos que crêem, é justamente derivada desse risco, que não estão dispostos a correr. Nada a ver com “ensinar valores”, que não dependem de uma fé cega e podem ser ensinados por ateus, crentes, e agnósticos, mas sim com a risco, real e claro, de ter seus filhos escolhendo livremente.

    A campanha é excelente para demonstrar isso..:-) Espero que seja copiada por aqui..:-)

    Homero

  • Bruno
    12:51 on novembro 27th, 2009 13

    “É preciso um mínimo de lógica para um debate racional. Acho que está faltando esse mínimo em seus argumentos, na tentativa de “provar seu ponto”.” – Cômicamente auto-referente… Como estou sem tempo agora, escreverei apenas 3 notas, sobre equívocos um tanto incômodos:

    1.Não seja leviano ao “rotular” os outros… Vc cometeu um equívoco ridículo ao explicar minha “reação visceral” por minha suposta posição religiosa – que vc claramente desconhece… Sim, não sou um “dos que crêem”, apara sua informação… Apenas não aprecio hipocrisia e dissimulação demagógica venham de onde vierem…

    2.”Continua a parecer-me que a questão se resume ao fato de que alguns ateus vêem a religião como algo intrisecamente mau e do qual as crianças devem ser protegidas… Mas então pq toda a afetação – a la Voltaire – em prol da “liberdade de consciência infantil”, quando a única justificativa razoável para que os pais não insiram seus filhos em seu contexto religioso é o fato de que alguns ateus acham esse contexto altamente daninho?”
    Se vc pudesse escrever algo que tocasse neste ponto particular – demonstrando onde errei – ficaria grato…

    3.Quanto às suas dinstinções “escolásticas” entre “rótulo e características”, bem como suas considerações posteriores – de um “relativismo” seletivo e um tanto ingênuo – as comentarei em breve… Até lá, reflita, “pense criticamente”… Também sobre suas próprias idéias…

  • Homero
    21:47 on novembro 27th, 2009 14

    Bruno: “1.Não seja leviano ao “rotular” os outros… Vc cometeu um equívoco ridículo ao explicar minha “reação visceral” por minha suposta posição religiosa – que vc claramente desconhece… Sim, não sou um “dos que crêem”, apara sua informação… Apenas não aprecio hipocrisia e dissimulação demagógica venham de onde vierem…”

    Está enganado. Só posso contrargumentar com base no que escreve, e escreve em defesa da crença e do direito de pais de incutir essa crença em seus filhos pequenos. Portanto, é perfeitamente legítimo contrargumentar como se crente fosse. Imagine alguém defendendo a todo custo o corintians, mas que recusa o “rótulo” de corintiano quando confrontado..:-) Esquisito, não?

    Bruno: “Continua a parecer-me que a questão se resume ao fato de que alguns ateus vêem a religião como algo intrisecamente mau e do qual as crianças devem ser protegidas…”

    Eu vejo religiões como algo intrinsecamente daninho, prejudicial ao pensamento racional livre e pleno (e tenho dezenas de evidências disso), mas não estou sozinho..:-) Todo crente, religioso, em especial os mais religiosos e mais crentes também acham que toda religião é daninha e perigosa, menos a dele. Acha que um judeu permitiria que seu filho fosse “doutrinado” por um muçulmano? Ou que um muçulmano permitiria que se educassem seu filho nos preceitos mórmons? A diferença, portanto, é de apenas uma religião a mais entre eu e eles.

    Bruno: “em prol da “liberdade de consciência infantil”, quando a única justificativa razoável para que os pais não insiram seus filhos em seu contexto religioso é o fato de que alguns ateus acham esse contexto altamente daninho?””

    Porque temos evidências claras do dano causado. Porque para pensar livremente, e fazer escolhas livremente, é preciso liberdade durante o crescimento. Se religiões conseguissem agir da formo como propus, dizendo coisas como “eu creio nisso e naquilo, mas tem quem creia em outra coisa, deve encontrar seu caminho sozinho”, seria uma coisa.

    Mas sabemos, ambos, que não é assim. Que depois de décadas de lavagem cerebral, a libertação de crenças cegas é, no mínimo, dolorosa.

    Sabemos também, e qualquer psicólogo pode explicar para você, que uma criança acreditar em Papai Noel e na fada do dente, não é problema, mas um adulto acreditar nisso, é problema sério. E acreditar em amigos imaginários, idem.

    Bruno: “Quanto às suas dinstinções “escolásticas” entre “rótulo e características”, bem como suas considerações posteriores – de um “relativismo” seletivo e um tanto ingênuo – as comentarei em breve… Até lá, reflita, “pense criticamente”… Também sobre suas próprias idéias…”

    Não são escolásticas, são claras e precisas, tanto que precisa elaborar melhor uma resposta para elas..:-) Que, imagino, ai sim, terá de ser escolástica.

    Tente mudar o “rótulo” de brasileiro de um cidadão nascido aqui. Vai ver que é bem difícil..:-) Usamos o termo “rótulo” justamente como metáfora, de algo que pode ser “colado e descolado”, como um rótulo de papel adesivo. Só faz sentido nessa acepção, em nossa discussão.

    Uma criança “evangélica” tem um rótulo. Se os pais morrerem, e ela for morar com a avó católica, será uma criança “católica”. Se os avós não puderem mante-la, e ela mudar para viver com os tios muçulmanos, ganhará mais um rótulo.

    Mas será sempre brasileira, se tiver nascido neste pais.

    Outro exemplo, imagine um pai de direita dizendo, “meu filho é capitalista”..-) Ou um pai esquerdista dizendo, “meu filho é marxista”. Sei que você acharia ridículo.

    Agora troque o termo “marxista” por “mórmom”, “evangélico” ou “católico”. Entendeu?

    Um abraço.

    Homero

 

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